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Levantamento mostra queda de crescimento na produção de leite em 2015

23, março, 2016

As cem maiores fazendas de leite do Brasil reduziram o ritmo de crescimento da produção em 2015, reflexo do cenário mais adverso para a atividade. No ano que passou, a produção média dessas cem fazendas foi de 15.486 litros de leite por dia, 2,2% acima da produção média das 100 maiores de 2014, mostra Levantamento Top 100 MilkPoint. O incremento é o menor em cinco anos.
Em sua 15ª edição, a pesquisa obteve informações dos 100 maiores produtores de leite do Brasil sobre o desempenho de 2015, comparando-as com as do ano precedente. Marcelo Pereira de Carvalho, coordenador do levantamento e do MilkPoint, observa que, embora tenha havido desaceleração no crescimento, o dado ainda é positivo já que tudo "indica que a produção no Brasil caiu entre 3% e 4%" em 2015 sobre o ano anterior.
Há várias razões para a redução do ritmo de crescimento entre as 100 maiores, elenca Carvalho. Ele lembra que a produção nessas fazendas cresceu a uma taxa de 10% em 2014, quando a produção formal do Brasil subiu 5,1%, para 24,747 bilhões de litros, conforme dados do IBGE.
Desde o fim de 2014, porém, com os juros mais altos ficou "mais complicado" acessar crédito para os investimentos, diz Carvalho. Além disso, os preços baixos do leite no mercado internacional e a alta dos custos de produção em decorrência das cotações mais elevadas dos grãos também afetaram a disposição dos pecuaristas para ampliar a produção no mesmo ritmo anterior. "Houve ainda a valorização do dólar, que levou ao aumento de custo de produção do leite sem que o setor fosse beneficiado pelas exportações, já que os preços internacionais estavam em queda", argumenta o analista.
Esse cenário desfavorável explica um dos resultados da pesquisa: 58% dos produtores que forneceram informações consideraram a rentabilidade em 2015 pior que a média de outros anos; 34% afirmaram que a rentabilidade esteve na média e apenas 8% a consideraram acima da média. Como um dos reflexos da alta dos grãos, os custos operacionais de produção subiram 10,5% entre os produtores do ranking. Conforme observa o relatório do MilkPoint, a alta é semelhante à da inflação em 2015. Ainda segundo a pesquisa, 55% das propriedades tiveram custo operacional médio acima de R$ 1,00 por litro.
Sinal de que não se pode falar em crise entre os 100 maiores produtores de leite do país é que grande parte deles planeja continuar ampliando a produção nos próximos anos, diz Carvalho. "São produtores com grande rendimento, que recebem preços diferenciados, sentem menos a crise". Diante disso, afirma, dificilmente cancelam um plano de crescimento por questões de momento. Assim, quando indagados sobre a intenção de ampliar a produção nos próximos três anos, apenas 8% responderam que não pretendem expandir.
O levantamento da MilkPoint também questionou os produtores sobre o que consideram ser os maiores desafios do setor. Entre os principais estão custos, mão de obra e preços. Uma fatia de 27,7% dos entrevistados citou os custos de produção como um dos maiores desafios. Outros 14,2% citaram a mão de obra, "devido à necessidade de qualificação de trabalhadores rurais que saibam lidar com informática e tecnologias mais complexas". O preço do leite foi mencionado por 8,8% dos produtores, que apontaram o fato de essa variável não ter acompanhado a elevação dos custos de produção.

Fonte: Agripoint, março 2016

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