ABIQ
Notícias

Notícias > Mercado Nacional de Lácteos

La Sereníssima importou da matriz leite para o mercado brasileiro
30/10/2017

Diante da falta de leite e do aumento dos preços, a empresa importou da matriz 80% do produto vendido aos consumidores brasileiros

La Sereníssima é a principal marca de laticínios da argentina Mastellone Hermanos. Lá, o nome se escreve com um “s”, La Serenísima. No Brasil, os produtos são comercializados pela LeiteSol, indústria do interior de São Paulo comprada pela Mastellone Hermanos, em 1996. O principal negócio da empresa no país é o leite em pó para consumo final, distribuído para 15 Estados, mas que abarrota, sobretudo, as prateleiras das lojas nordestinas. “A região representa 70% desse mercado, consequência de hábitos arraigados e da facilidade de preservação do produto, entre vários fatores”, diz Sebastián Maraggi, de 52 anos, um argentino prestes a se naturalizar, presidente da La Sereníssima no Brasil – ele tem 18 anos de empresa e está há 22 no país. Outros itens, como queijos e doce de leite, têm mais saída em estados do Sudeste.

Em 2016, a filial brasileira comercializou 20.000 toneladas de leite em pó no país e aumentou o faturamento líquido (R$ 305,5 milhões) em 35,1%, mesmo diante do cenário atípico: baixa oferta de leite e consequente aumento dos preços pagos pelos laticínios aos produtores. A falta de chuvas prejudicou as pastagens e fez subir o preço da ração. “Em mais de 20 anos de Brasil, foi a primeira vez que vi a produção de leite parar de crescer e faltar produto no mercado, movimento iniciado lá em 2015”, diz Maraggi.

“O que faltou em 2016 sobra agora e a produção de leite reagiu. Mas o consumo não se recuperou”

Para driblar o problema, o laticínio recorreu à matriz, na Argentina. Trouxe de lá 80% do leite La Sereníssima vendido aos brasileiros em 2016. “A falta de produto resultou na recuperação de preços e maior facilidade para colocar volumes, mas oportunidades não existem se você não estiver pronto”, afirma Maraggi. “O que nos permitiu aproveitar a conjuntura foi toda a estrutura de distribuição montada ao longo dos anos, combinada com a reputação conquistada pela marca.”

Não há chance de repetição do desempenho em 2017. “O cenário atual é exatamente o oposto daquele de 2016. O que faltou neste ano está sobrando agora”, diz o presidente. A produção de leite, segundo ele, reagiu e cresceu 100% em 2017. Mas o consumo ainda não se recuperou e o setor experimenta queda relevante de preços, com efeito em toda a cadeia.

“Para se ter ideia, o preço do leite longa vida, que influencia todos os preços da cadeia, caiu quase a metade em um ano. O setor sofre muito nessa conjuntura, e estamos inseridos nele.” Mesmo com seus preços caindo menos do que a média do setor, segundo Maraggi, a La Sereníssima deverá ter uma expansão de faturamento pequena em 2017, da ordem de 2% a 3%.

O lado positivo são os primeiros sinais de recuperação do consumo, e a empresa se considera preparada para atendê-lo. Com estrutura enxuta – 120 funcionários na fábrica em Bragança Paulista (SP) e em dois escritórios, um em Barueri (SP), onde funciona a sede, e outro no Recife –, o laticínio dedica-se inteiramente à produção, vendas, distribuição e relacionamento com os clientes, uma vez que todo o investimento em pesquisa e inovação de marca e produto fica a cargo da matriz, onde trabalham cerca de 4 mil pessoas.

Por aqui, a administração foca na inovação e no uso da tecnologia da informação voltados para a melhoria de processos de negócios, relacionamento com clientes e uso otimizado da estrutura interna. “São iniciativas invisíveis externamente, mas que aumentaram nossa eficiência e reduziram vários custos”, afirma o executivo.

Voltar

Veja também:
 
  Commodities Agrícolas
 
  Diversos
 
  Mercado Internacional de Lácteos
 
Mercado Nacional de Lácteos
 
  Pesquisas de Mercado
 
  Varejo Internacional
 
  Varejo Nacional
 

Endereço: Praça Dom José Gaspar n° 30 - 10° Andar - Centro - São Paulo - SP
Tel/Fax: (11) 3259-9213 / 3259-8266 / 3120-6348 - Desenvolvimento: Interpágina