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Codemig garante compra da Itambé pela CCPR
01/12/2017

CCPR – A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) vai garantir que a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) consiga concretizar a recompra de 50% da Itambé Alimentos e volte a ter controle da empresa de lácteos. A participação era da Vigor, controlada pela J&F, desde 2013 e foi vendida à mexicana Lala em agosto deste ano.
 
O conselho de administração da empresa de desenvolvimento, controlada pelo governo de Minas Gerais, autorizou um aporte de R$ 587,025 milhões, por meio da Codemig Participações (Codepar), para auxiliar a CCPR na recompra dos 50% da Itambé. A operação poderá ser feita por meio da aquisição das ações da Itambé pela Codepar ou por meio de empréstimos, pela CCPR, junto a instituições financeiras, conforme ata de assembleia geral extraordinária de acionistas da Codemig publicada segunda-feira no Diário Oficial de Minas.
 
“A Codemig faz parte de um grupo de financiadores e investidores que está avaliando o investimento junto à CCPR, dentre eles gestores de recursos, bancos e outras empresas”, informou por meio de nota a Codemig, após ser questionada sobre a ata.
 
Conforme a ata da assembleia realizada no dia 20 de setembro, que deliberou sobre o auxílio à CCPR, a Codepar “fica autorizada a aportar o valor de R$ 587,025 milhões, seja através da aquisição das ações da Itambé ou através da celebração de instrumentos financeiros de dívida com a CCPR”.
 
Na nota, a Codemig afirmou ainda que não faz parte de sua estratégia realizar o aporte de recursos de forma isolada. “A Codemig não realizou aportes de recurso dessa magnitude em anos recentes e está, no momento, avaliando o investimento parcial. Desse modo, é precoce falar em definição de valores”, disse.
 
Virgílio Guimarães, ex-deputado federal do PT de Minas Gerais e conselheiro da Codemig, afirmou que o projeto de auxílio à CCPR vinha sendo elaborado pela diretoria da Codemig desde setembro e voltou à pauta em reunião do conselho na última sexta-feira.
 
Conforme informou o Valor em meados deste mês, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) é um dos que analisam a concessão de empréstimo à CCPR. Na ocasião, o presidente do BDMG, Marco Aurélio Crocco, disse que “o banco não dará o total de recursos necessários” para a operação. Segundo fontes do setor de lácteos, além do BDMG, há negociações com o Banco Mercantil do Brasil, com o BNDES e com dois fundos.
 
Também em meados do mês, a reportagem questionou a Codemig sobre informação de que compraria participação na Itambé, contudo, à época, a assessoria do governo de Minas negou que houvesse conversas envolvendo a empresa de participações.
 
O Estado de Minas Gerais enfrenta uma crise em suas contas e pela terceira vez fechará o ano com déficit orçamentário. Os investimentos do Tesouro estadual foram limitados desde que o governador Fernando Pimentel (PT) tomou posse em 2015. Mas a Codemig não tem uma dependência direta da arrecadação. Isso porque seus recursos advêm majoritariamente de royalties recebidos da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) pela exploração de nióbio em Araxá, no leste do Estado. A CBMM é a maior produtora de nióbio do mundo e tem como principal acionista a família Moreira Salles.
 
A Codemig tem sob seu guarda-chuva uma gama variada de investimentos. Está no negócio do nióbio com a CBMM e também é dona da Sala Minas Gerais, sede da orquestra filarmônica do Estado; do centros de convenções e investe em eventos de moda e em fábricas. Em 2016, por meio da Codepar, adquiriu 58,5% da participação acionária do Banco Mercantil de Investimentos.
 
Questionada sobre a demora em publicar a ata da reunião que deliberou sobre o auxílio à CCPR, a Codemig afirmou que as atas das assembleias e de reuniões do conselho são só publicadas após registro na junta comercial, que se encontra de greve.
 
A CCPR decidiu exercer o direito de recomprar a fatia de 50% na Itambé em setembro após a venda da Vigor, sua sócia na empresa de lácteos, à mexicana Lala. O valor da transação, de R$ 5,725 bilhões, incluía também a compra de até 100% da Itambé pela Lala. Procurada ontem, a CCPR não respondeu à reportagem.

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