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Alta nos custos de produção desanima produtores leiteiros
23/02/2018

Os custos de produção da pecuária leiteira iniciaram 2018 em alta, dando continuidade ao movimento observado desde outubro de 2017. O aumento dos custos se contrapõem aos preços baixos pagos pelo litro do leite aos produtores e desestimulam a produção.
 
De dezembro/17 para janeiro/18, o custo operacional efetivo (COE), que considera os gastos correntes da propriedade na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), subiu 0,88% e o custo operacional total (COT), que engloba pró-labore e depreciações, teve alta de 0,81%. A elevação nos custos esteve atrelada, principalmente, às valorizações dos concentrados, da suplementação mineral, dos combustíveis e da mão de obra. Por outro lado, a queda de 4,16% nos custos da construção civil e de 0,93% nos preços das sementes forrageiras limitaram o movimento de alta do COE e do COT. O preço do concentrado (22% de PB), principal insumo da pecuária leiteira, registrou leve alta de 1,17% em janeiro na “média Brasil”, de acordo com a pesquisa do Cepea, que monitora as cotações dos insumos nas casas agropecuárias. Os estados que registraram as maiores valorizações desse insumo foram Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, de 3,09%, 0,91% e 0,32%, respectivamente. Segundo colaboradores do Cepea, esse reajuste é consequência da recente valorização do milho no mercado interno. A relação de troca média do concentrado em janeiro foi de 56,06 litros de leite para se adquirir uma saca de 40 kg. Em janeiro de 2017, a relação era de 51,75 litros, ou seja, houve uma diminuição do poder de compra, que, por sua vez, está relacionada diretamente com a queda na receita do produtor.
 
A alta de 2,39% nos preços dos combustíveis na “média Brasil” em janeiro também influenciou o aumento nos custos de produção. Essa foi a sexta valorização consecutiva do insumo – desde agosto de 2017, a valorização acumulada é de 12,55%. Os reajustes são derivados da política de taxação sobre os combustíveis adotada pelo governo federal e da nova política de preços praticados pela Petrobras. Consequentemente, as operações que envolvem o uso de máquinas agrícolas e as operações mecânicas dentro da propriedade se tornaram mais onerosas.
 
MÍNIMO – O reajuste de 1,81% do salário mínimo nacional a partir de 1º de janeiro impactou nos custos da pecuária leiteira dos estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais. Para o estado de São Paulo, que tem salário mínimo regional, o reajuste já foi definido em 2,99%. Para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que também possuem mínimo regional, ainda não há previsão para a data do reajuste.
 

FUNRURAL – A nova alíquota do Funrural para o empregador rural pessoa física passou a valer a partir de 1º de janeiro – a taxa, que antes era de 2%, foi reduzida para 1,2%. A diminuição não afeta o recolhimento para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), de 0,2%, e o destinado ao Risco Ambiental do Trabalho (RAT), contribuição previdenciária para trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho, de 0,1%. Sendo assim, o total recolhido na comercialização passou de 2,3% para 1,5%. Para o produtor, a redução de 0,8 ponto percentual reflete positivamente na receita e, consequentemente, na margem do seu negócio. 

Fonte: Selectus fev 2018

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