ABIQ
Notícias

Notícias > Mercado Nacional de Lácteos

Preço Cepea registra queda no leite de agosto
05/10/2018

Depois de sete meses em alta, o preço do leite ao produtor em setembro (referente ao leite entregue em agosto) registrou queda de 7 centavos (ou de 4,6%), considerando-se a “Média Brasil” líquida[1] do Cepea, que fechou a R$ 1,4748/litro. Ainda assim, a média de setembro ficou 36% superior à do mesmo mês do ano passado, em termos nominais.
 
O recuo no preço ao produtor esteve atrelado ao consumo enfraquecido de lácteos, que, por sua vez, registravam valores elevados, devido justamente à forte valorização do leite no campo neste ano. Vale ressaltar que a lenta recuperação da economia e a instabilidade do cenário político têm fragilizado o consumo, tendo em vista que a demanda por lácteos só é estimulada quando o poder de compra do brasileiro aumenta. Diante da incapacidade de o consumidor absorver novas altas, houve a necessidade de realização de promoções em agosto e setembro, resultando em queda no preço ao produtor neste mês.
 
No acumulado da segunda quinzena de setembro (até o dia 26), o leite UHT negociado entre indústria e mercado atacadista do estado de São Paulo se desvalorizou 0,9%. Apesar das vendas fracas, colaboradores relatam que os estoques estão baixos. Além disso, os volumes negociados de leite spot seguem estáveis, indicando que a oferta ainda segue enxuta, sem excedentes consideráveis para “inundar” o mercado. Por esse motivo, inclusive, o leite spot negociado em Minas Gerais registrou alta de 2,2% da primeira para a segunda quinzena de setembro.
 
Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, a expectativa é de queda nas cotações ao produtor para os próximos meses, com pressão vinda tanto da demanda, que segue fragilizada, quanto da oferta, já que o retorno das chuvas favorece a produção. No entanto, alguns fatores podem limitar esse possível crescimento da oferta, como o aumento dos custos de produção, especialmente por conta da valorização da ração. Isso associado ao cenário de queda na receita podem reforçar o desestímulo de produtores frente aos riscos de produção e comercialização, impactando os investimentos na atividade. Vale ressaltar, ainda, que a possibilidade de ocorrência do El Niño – fenômeno climático que influencia na distribuição das chuvas – entre novembro e dezembro pode prejudicar as pastagens e a safra de grãos.
 
Diante desse cenário, a expectativa de que a produção em 2018 fique estável ou caia em relação a 2017 ganha força entre agentes do setor. Assim, uma competição entre indústrias para garantir matéria-prima pode diminuir a intensidade da queda dos preços no campo nos próximos meses.
 
 
 
 
Leite sem aditivos –
 
Como estratégia de mercado, empresas estão investindo na produção de leite sem alguns aditivos. No entanto, a peça fundamental para esse processo é o produtor. É um caminho sem volta, já que cada vez mais o consumidor procura saber quais ingredientes compõem o produto que está comprando.
 
Anselmo Souza, gerente de fábrica da Nestlé, afirma que o consumidor, quanto mais busca ter uma vida saudável, mais se empenha em estar próximo daquilo que reconhece como sendo um produto natural. “Isso é uma demanda muito grande. Dentro das características dos leites UHT, não é mais necessário, em função da sua matéria-prima, adicionar estabilizantes“, afirma.
 
A analista de qualidade Michele Zanotto Siben diz que a proposta é manter as características próprias e intrínsecas do produto na fabricação, durante o aquecimento térmico e no processo de validade (shelf life). Assim, uma vez que a qualidade do leite se torna suficiente para que o produto se mantenha estável por si só, sem necessidade de um aditivo tecnológico, não há mais motivo para utilizá-lo.
 
O estabilizante era adicionado ao produto logo que o caminhão chegava para o transporte. Agora, sem esse uso, o cuidado e a agilidade do produtor são fundamentais para a diminuição da quantidade de bactérias no leite cru. Toda a cadeia produtiva precisa correr contra o tempo. Com coleta diária, o prazo é de 48 horas para que o produto esteja no supermercado.
 
“O nível de liberação e de processamento do produto é mais rápido e, logicamente, conseguimos disponibilizar mais rapidamente o produto“, avalia Souza.
 
Para retirar certos aditivos, as indústrias não dependem de novas tecnologias, mas do que é feito manualmente. “Os tetos das vacas são lavados e desinfetados com uma solução, uma toalha úmida tira o excesso e daí é feita a ordenha“, afirma o produtor rural Rogério Schneider.
Além da higiene, existe uma atenção especial dos produtores sobre a alimentação das vacas. “Hoje, nós estamos com um pastejo noturno e um diurno, com ração de 14% de proteína baixa. Estamos tentando fornecer mais energia (para os animais)“, afirma o produtor Douglas Erig.
As vacas são divididas em três lotes e identificadas por fitas coloridas, de acordo com o tempo de vida. À medida que passam pelo período de lactação, a quantidade de ração diminui.
 
Michele Zanotto Siben, analista de qualidade da Nestlé, afirma que, quanto mais rapidamente o leite chega na fábrica, melhor é a qualidade microbiológica inicial da matéria-prima – o que propicia, após o processamento térmico, que o produto continue estável. Sem isso, mesmo submetendo a matéria-prima ao tratamento térmico que elimina todos os microorganismos, seria necessário o uso do adicional tecnológico. Por não ser possível recuperar a qualidade microbiológica que a proteína apresentava no início do processo, é importante que a captação seja rápida e que os produtores sejam conscientizados sobre os procedimentos adotados.
 
O gerente de fábrica reforça a importância de o setor compreender o processo, desde a ordenha até a chegada do produto na indústria, para que o cuidado seja transmitido ao consumidor.
 

“Tenho duas meninas que tomam do mesmo leite que a gente vende, então fico bem contente com isso“, completa o produtor Rogério Schneider 

Fonte: EDairy News, 03/10/2018

Voltar

Veja também:
 
  Commodities Agrícolas
 
  Diversos
 
  Mercado Internacional de Lácteos
 
Mercado Nacional de Lácteos
 
  Pesquisas de Mercado
 
  Varejo Internacional
 
  Varejo Nacional
 

Endereço: Praça Dom José Gaspar n° 30 - 10° Andar - Centro - São Paulo - SP
Tel/Fax: (11) 3259-9213 / 3259-8266 / 3120-6348 - Desenvolvimento: Interpágina