Acordo Mercosul EU caminha, queijos têm cláusulas especiais
16, janeiro, 2026
Debatido por 25 anos, o Acordo Mercosul UE foi agora aprovado provisóriamente pela maioria qualificada da União Europeia, apesar da oposição de França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria, e finalmente avança para suas etapas finais. Restam apenas a ratificação pelo Parlamento Europeu e pelo Congressos do países do Mercosul. Concluída essa fase, o acordo formará a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores.
Envolvida no debate e nas negociações, a ABIQ considera que, apesar do duro embate, para o setor de queijos brasileiro, o Acordo foi negociado em bons termos e não deve causar impactos estruturais para a o setor quejeiro brasileiro. Embora as tarifas de importação — atualmente entre 16% e 28% — venham a ser zeradas, essa redução ocorrerá de forma gradual, ao longo de dez anos, e estará limitada a um volume máximo de importação de 30 mil toneladas por ano para o conjunto de países do Mercosul. Além disso, a mussarela ficou fora do acordo, ou seja, as importações da União Europeia não serão isentas de impostos.
O acordo previu também avanços específicos na negociação por nomes de indicações geogáfricas. A negociação coordenada pelo Ministério da Agricultura garantiu a criação de uma lista de exceçõesque permitiu a continuidade do uso de nomes de queijosno Brasil tradicionalmente associados a regiões europeias. Ele garantiu que determinadas empresas brasileiras continuem utilizando denominações protegidas por indicações geográficas na União Europeia, como gorgonzola, parmesão, grana padano, gruyère e fontina.
Fonte: ABIQ, 12 janeiro 2026